Quem não se tenta por um amor bandido
que lhe faça feridas fundas,
em êxtases enlouquecidos?
Quem não deseja ser arrebatada,
ser posta do avesso,
Em doidos momentos de suor gelado?
Medos, tremores, ânsias
na semi-obscuridade inebriante entre paredes.
Cetins, veludos, voiles,
maravilhas dos sentidos arrebatados.
Quem não sonha com esse fogo
queimando sem machucar,
com as labaredas exultando ao redor dos corpos?
Festim dos deuses, gosto de saliva ácida.
Nesse paraíso demoníaco quero estar,
comendo do fruto agri-doce do desconhecido.
Lambendo as feridas das batalhas,
sorvendo o ar a plenos pulmões.
Esse é o amor sem preceitos,
amor marginal e proscrito,
habitante de escuras cavernas,
guardado sob trancas atentas.
ELe está em nós como as asas nas aves,
ele espera ser procurado,
aguarda nosso chamado.
É ele o eterno fogo sagrado das paixões,
princípio e fim num só estremecimento.
Palavra definitiva na doce vibração do tempo
que se eterniza em si mesmo...
sábado, 26 de maio de 2007
HOMEOSTASE
Não será cedo,
não será tarde,
será somente a hora
em que a noite já foi
e o dia ainda não é.
A hora do silêncio absoluto,
a hora do calafrio.
Não será cedo,
não será tarde,
não será madrugada.
Nenhum relógio marcará esse tempo,
nenhuma mão tocará em meu ombro.
Não será por certo a morte,
nem um sonho, nem loucura alucinada!
E não serei carne,
e não serei sangue,
somente agonia perdida na sala...
não será tarde,
será somente a hora
em que a noite já foi
e o dia ainda não é.
A hora do silêncio absoluto,
a hora do calafrio.
Não será cedo,
não será tarde,
não será madrugada.
Nenhum relógio marcará esse tempo,
nenhuma mão tocará em meu ombro.
Não será por certo a morte,
nem um sonho, nem loucura alucinada!
E não serei carne,
e não serei sangue,
somente agonia perdida na sala...
TRAJETÓRIA
É pá que rasga a terra, endoidecida.
Da torpe navalha, o aço se faz morte.
Persigo essa ausência pra ver onde vai dar
e encontro nas mortalhas respostas incompletas.
É osso duro de roer, é pasmaceira,
de dias ensolarados, de noites intermináveis.
Quando a minha hora chegar, estarei pronta?
Quando o sino tocar, saberei que fazer?
Aonde tanta luz prometida?
Por entre as frestas das tábuas
vislumbre de madrugadas...
Chuvas lentas, postes enegrecidos,
ventos estonteantes
e o velho incômodo das perguntas sem respostas.
Por onde andarás agora, oh meu amado?
De que lodo será feito teu eterno abrigo?
E os homens que não amei,
e as mulheres que não fui?
Somos feitos de tantas possibilidades,
somos feitos de tantos pedaços de um quebra-cabeças,
quem se importa, Deus?
Estão todos à volta da mesa fingindo que são eternos,
que não existem os medos,
que não os aflige a incerteza.
Estamos todos comendo o pão nosso de cada dia,
como nosso avós, como nossos bisavós,
o pão que o diabo amassou.
Comeremos a nossa própria vida
num canibalismo de gestos e erupções,
nosso vulcão se retraindo,
engolindo a si mesmo,
explodindo no seu próprio ventre!
Que foi feito do coração da menina
que amava como amam todas as meninas?
Foi parar no peito de um executivo?
Quem se importa?
O bonde já passou,
o avião está no ar,
a Net já triplicou seu número de viajantes solitários.
......................................................
Descerei a montanha com meu cajado.
Sentirei as pedras ferindo meus pés.
A boca seca talvez diga uma oração.
Mas uma brisa leve aliviará meu cansaço e, tenho certeza,
sentirei o aroma selvagem e penetrante das ervas.
Estarei só, mas não solitária,
estarei plena de mim mesma.
E nessa hora, não buscarei respostas,
pois não terei nenhuma pergunta.
Da torpe navalha, o aço se faz morte.
Persigo essa ausência pra ver onde vai dar
e encontro nas mortalhas respostas incompletas.
É osso duro de roer, é pasmaceira,
de dias ensolarados, de noites intermináveis.
Quando a minha hora chegar, estarei pronta?
Quando o sino tocar, saberei que fazer?
Aonde tanta luz prometida?
Por entre as frestas das tábuas
vislumbre de madrugadas...
Chuvas lentas, postes enegrecidos,
ventos estonteantes
e o velho incômodo das perguntas sem respostas.
Por onde andarás agora, oh meu amado?
De que lodo será feito teu eterno abrigo?
E os homens que não amei,
e as mulheres que não fui?
Somos feitos de tantas possibilidades,
somos feitos de tantos pedaços de um quebra-cabeças,
quem se importa, Deus?
Estão todos à volta da mesa fingindo que são eternos,
que não existem os medos,
que não os aflige a incerteza.
Estamos todos comendo o pão nosso de cada dia,
como nosso avós, como nossos bisavós,
o pão que o diabo amassou.
Comeremos a nossa própria vida
num canibalismo de gestos e erupções,
nosso vulcão se retraindo,
engolindo a si mesmo,
explodindo no seu próprio ventre!
Que foi feito do coração da menina
que amava como amam todas as meninas?
Foi parar no peito de um executivo?
Quem se importa?
O bonde já passou,
o avião está no ar,
a Net já triplicou seu número de viajantes solitários.
......................................................
Descerei a montanha com meu cajado.
Sentirei as pedras ferindo meus pés.
A boca seca talvez diga uma oração.
Mas uma brisa leve aliviará meu cansaço e, tenho certeza,
sentirei o aroma selvagem e penetrante das ervas.
Estarei só, mas não solitária,
estarei plena de mim mesma.
E nessa hora, não buscarei respostas,
pois não terei nenhuma pergunta.
GRAMÁTICA&POLÍTICA: SONHO DE UM BRASIL QUASE POSSÍVEL
Em linhas analíticas,
também um tanto explícitas,
guardei proparoxítonas,
guardei meus pensamentos,
tão íntimos, recônditos,
num sonho um tanto esquálido,
que rima com inválido...
Oh rimas em ruínas,
em mãos por certo trêmulas,
em folhas tão efêmeras,
guardei meus versos pálidos,
perdi-me nesta trama,
tão pérfida metáfora,
com sons apocalípticos,
de trágicas, patéticas,
poéticas e inéditas,
verdades escondidas,
paixões tão incontidas..
E eu presa a essa retórica,
a essa droga eufórica
que me persegue impávida,
que quer-me sempre ávida,
a me roubar o poema,
a me deixar anêmica,
a me dourar a pílula!
Oh página virada,
quisera fosse a última,
e que por longas décadas,
geométrico, esquelético,
pousasse em qualquer sílaba,
não me roubasse a cena.
E todos nos amássemos,
na dúvida e no imperfeito,
nesta terra belíssima,
impávido colosso!
Oh gesto patriótico,
oh cívico estereótipo,
livrai-nos dessa dívida,
livrai-nos tu também,
de cenas tão magníficas,
da trágica, patética,
coreógrafa política...
Mas o círculo se fecha
e tudo recomeça:
o trânsito, semáforos,
catástrofes satânicas;
sorrisos ortodônticos,
quiméricos acenos,
paupérrimos barracos,
diálogos tão gastos.
E nesse berço esplêndido,
expiram criancinhas,
ao tilintar dos cálices,
nas ávidas mãos do poder.
Senhor magnânimo livrai-nos
da sina dessas palavras,
tirânica força opressora,
malévolo jogo de cores.
Eu quero fazer meu poema,
com muitos acentos ou não,
com a rima que eu bem quiser,
com as cores que eu escolher.
Mas quero também que ele tenha,
a cara nova de um povo,
sem fome, digno, sem medo,
com o jeito simples de gente,
sem retumbâncias vazias,
vozes hinos da tirania,
plantado com os pés no chão,
que não seja a terra alheia,
que seja onde ele semeia,
sua vida, seu ganha-pão.
Senhor livrai-nos da opressão,
dos acentos, da ganância,
de toda vazia arrogância,
dos brasões, dos protocolos
E dai-nos a vossa bênção,
paroxítona bem-vinda,
e quantas palavras ainda
escrevam uma nova História!
( POEMA ESCRITO EM 1990 )
também um tanto explícitas,
guardei proparoxítonas,
guardei meus pensamentos,
tão íntimos, recônditos,
num sonho um tanto esquálido,
que rima com inválido...
Oh rimas em ruínas,
em mãos por certo trêmulas,
em folhas tão efêmeras,
guardei meus versos pálidos,
perdi-me nesta trama,
tão pérfida metáfora,
com sons apocalípticos,
de trágicas, patéticas,
poéticas e inéditas,
verdades escondidas,
paixões tão incontidas..
E eu presa a essa retórica,
a essa droga eufórica
que me persegue impávida,
que quer-me sempre ávida,
a me roubar o poema,
a me deixar anêmica,
a me dourar a pílula!
Oh página virada,
quisera fosse a última,
e que por longas décadas,
geométrico, esquelético,
pousasse em qualquer sílaba,
não me roubasse a cena.
E todos nos amássemos,
na dúvida e no imperfeito,
nesta terra belíssima,
impávido colosso!
Oh gesto patriótico,
oh cívico estereótipo,
livrai-nos dessa dívida,
livrai-nos tu também,
de cenas tão magníficas,
da trágica, patética,
coreógrafa política...
Mas o círculo se fecha
e tudo recomeça:
o trânsito, semáforos,
catástrofes satânicas;
sorrisos ortodônticos,
quiméricos acenos,
paupérrimos barracos,
diálogos tão gastos.
E nesse berço esplêndido,
expiram criancinhas,
ao tilintar dos cálices,
nas ávidas mãos do poder.
Senhor magnânimo livrai-nos
da sina dessas palavras,
tirânica força opressora,
malévolo jogo de cores.
Eu quero fazer meu poema,
com muitos acentos ou não,
com a rima que eu bem quiser,
com as cores que eu escolher.
Mas quero também que ele tenha,
a cara nova de um povo,
sem fome, digno, sem medo,
com o jeito simples de gente,
sem retumbâncias vazias,
vozes hinos da tirania,
plantado com os pés no chão,
que não seja a terra alheia,
que seja onde ele semeia,
sua vida, seu ganha-pão.
Senhor livrai-nos da opressão,
dos acentos, da ganância,
de toda vazia arrogância,
dos brasões, dos protocolos
E dai-nos a vossa bênção,
paroxítona bem-vinda,
e quantas palavras ainda
escrevam uma nova História!
( POEMA ESCRITO EM 1990 )
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