sábado, 9 de junho de 2007

SE FIZERMOS DE NÓS O MENOR TAMANHO

Se formos bastante insignificantes para caber em qualquer refúgio,
se de tudo que somos ou pensamos ser, fizermos o menor tamanho,
então nos será fácil superar agruras
e ver que enfim somos tão pouco
e tão obtusos com nossos diplomas.
Não há que temer o desconhecido,
nem de nossa sorte fazer lamúrias,
pois que vida e morte são a mesma sinfonia
com seus sons graves e outros mais agudos,
que a flor que hoje morreu na terra se transforma e volta em nova planta,
num constante renascer.
É preciso dissolver-se na grandiosidade do universo,
perceber-se dentro dessa engrenagem miraculosa,
diluir a própria imagem nesta aquarela metafísica
que nenhuma ciência explica, que nenhuma filosofia alcança.
Quando mares e pensamentos fundem seus rumores,
árvores e corpos se transfiguram além da visão,
quando os pés na terra se sentem aconchegados,
quando olhos viajam nas asas dos pássaros
e mãos se mesclam à comida que preparam,
quando versos vertem com as chuvas nos telhados
e lágrimas tecem heras pelos jardins,
está se denunciando a vida além das aparências,
um grande e uníssono grito
que canta a mesma nota
e ressoa e vibra ad infinitum...

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